Starlink direto no celular é a conexão de um smartphone comum com satélites em órbita baixa, sem antena externa. No Brasil, ela ainda não existe como serviço comercial. Mas a semana mudou o tamanho do plano: na terça-feira (6), a FCC, a agência de comunicações dos Estados Unidos, aprovou em parte o pedido da SpaceX para 15 mil satélites do Starlink Mobile. E na sexta-feira (9), a Anatel concedeu à Starlink 15+15 MHz na banda S, a faixa que o serviço vai usar por aqui.
Neste texto eu explico o que cada decisão significa, como a tecnologia funciona, quais aparelhos tendem a aceitar, quanto deve custar e, principalmente, o que muda (e o que não muda) para o seu celular hoje.
Como funciona o Starlink direto no celular
Pense numa torre de celular, só que a torre está a mais de 300 quilômetros de altura. Os satélites do Starlink Mobile ficam em órbitas entre 326 e 335 km, segundo as reportagens sobre a decisão da FCC, e falam com o telefone usando faixas de frequência próprias para serviço móvel, em vez de uma antena parabólica. Em inglês, o nome técnico é direct to cell ou direct to device (D2D).
É um serviço diferente da Starlink que você conhece, a de antena. Essa continua existindo: segundo a InfoMoney, o plano residencial começa em R$ 189 por mês e os kits vão de R$ 1.199 (Starlink Mini) a cerca de R$ 2.400 (modelo Padrão), antes de promoções. Já o D2D é para o celular que você já tem, e a ideia é cobrir os lugares onde a operadora não chega: estrada, zona rural, mar, área afetada por desastre.
Outro ponto importante: no começo, o D2D deve ser mais modesto do que uma torre de verdade. Segundo a CartaCapital e a Exame, a expectativa é de implantação gradual, primeiro mensagens de texto, localização e alertas de emergência, depois voz, e só por último internet.

O que a FCC aprovou nos Estados Unidos
A FCC autorizou, em 6 de outubro, a SpaceX a lançar e operar 15 mil satélites de nova geração para o Starlink Mobile. É uma aprovação parcial: parte dos pedidos da empresa ficou pendente. Segundo a Teletime, que detalha o prazo, metade dos satélites (7,5 mil) precisa estar operando até 7 de outubro de 2032, e o restante até 7 de outubro de 2035. O D2D fica separado da constelação de banda larga.
A SpaceX afirma que a nova geração, otimizada para frequências de 2 GHz, tem capacidade mais de 100 vezes maior que a dos satélites atuais, segundo o Canaltech. É a promessa da empresa; não é um número medido por terceiros. Na mesma semana, a empresa anunciou a compra de licenças de espectro de 800 MHz nos EUA, operação que ainda depende da aprovação final da FCC.
Um aviso sobre as fontes: em janeiro de 2026 a FCC já tinha aprovado outros 7,5 mil satélites de segunda geração, outra decisão, então a conta de quantos satélites são “novos” muda de uma reportagem para outra. Eu não consegui abrir o documento da FCC de outubro, e por isso uso aqui o que a Teletime e a Via Satellite descrevem.
O que a Anatel aprovou no Brasil
A resposta curta: a Anatel liberou faixa de frequência, não o serviço. Na sexta-feira (9), o Conselho Diretor concedeu à Starlink 15+15 MHz na banda S, por 4 votos a 1, no Acórdão nº 265/2026, com relatoria do conselheiro Alexandre Freire. A empresa pedia o dobro (30+30 MHz) e, segundo o Tele.Síntese, apresentou depois um pedido subsidiário de 15+15 MHz, que foi aceito. O voto vencido, de Edson Holanda, não questionou o mérito, e sim o fato de a decisão ter saído em votação virtual.
| O que a Anatel decidiu | Detalhe |
|---|---|
| Faixa concedida | 15+15 MHz na banda S, para serviço direto ao celular (D2D) |
| Pedido da Starlink | 30+30 MHz (a banda S disponível para isso no Brasil); aceito o pedido subsidiário de 15+15 MHz |
| Votação | 4 a 1 (Acórdão nº 265/2026) |
| Validade | 5+5 MHz até 5 de junho de 2029; o restante entre 2038 e 2039, conforme a reportagem |
| Direito de exploração | Novo direito específico para a banda S, porque a autorização atual da constelação termina em 28 de março de 2027 |
| Ainda falta | Publicação do acórdão no Diário Oficial da União para produzir efeitos |
Segundo o Tele.Síntese, a implantação da segunda geração do D2D está prevista para começar em 2027, e a entrada em operação depende do lançamento de pelo menos 750 satélites em dois anos. A autorização é nacional e não exclusiva, e a expedição do ato depende do pagamento de R$ 102.677.
O que muda para o seu celular hoje
Nada ainda. A faixa na mão da Starlink é um passo regulatório necessário, mas o serviço depende de testes, homologação e acordo com operadoras, como lembrou a Exame em julho. A Anatel não divulgou data de início comercial. O que existe hoje no Brasil é um teste: a Anatel prorrogou até 22 de abril de 2029 a autorização para a Vivo testar a conexão direta entre celulares e satélites, com a Starlink como parceira, segundo o Canaltech e a InfoMoney.
| Pergunta | Situação em 10/10/2026 |
|---|---|
| Já dá para usar o Starlink direto no celular no Brasil? | Não como serviço comercial. Existe teste autorizado com a Vivo até 22/4/2029 |
| A Anatel aprovou? | Aprovou a faixa (15+15 MHz na banda S), não o lançamento do serviço |
| Preciso comprar antena? | Não, para o D2D. A antena é do serviço de internet residencial |
| Quanto vai custar? | Sem preço definido. A expectativa do setor é incluir nos planos de operadoras parceiras |
| O que chega primeiro? | Mensagens, localização e alertas; voz e internet depois |
Quais celulares devem aceitar o Starlink
Não existe lista oficial para o Brasil, porque o serviço ainda não foi lançado. Como referência, a InfoMoney cita como compatíveis o iPhone 13 em diante, o Galaxy S21 em diante, os Galaxy Z Flip e Z Fold a partir da terceira geração e modelos recentes de Google Pixel, Motorola Edge e Razr, todos com 4G LTE. A SpaceX diz que a maioria dos celulares atuais aceita a faixa de 800 MHz, sem hardware específico. Para o Brasil, vai valer o que a Anatel homologar e o que cada operadora liberar.
Quanto vai custar e quando chega ao Brasil
Não há preço nem data. A InfoMoney registra que a SpaceX não informou valores nem se haverá assinatura própria ou cobrança pelas operadoras, e o Canaltech apontou em abril que o recurso deve ser gratuito no início, incluído em planos móveis, como nos Estados Unidos. É uma expectativa, não um compromisso. Sobre prazo, o único marco concreto é 2027, quando a Starlink prevê começar a segunda geração do D2D, e 2029, quando termina o teste prorrogado da Vivo.
Minha opinião
A palavra mais repetida nas manchetes desta semana foi “aprovou”, e ela engana. O que foi aprovado foram licenças e faixas de frequência, não um serviço que você vai ativar no celular amanhã. Para quem mora em cidade com 5G, o efeito prático nos próximos anos deve ser perto de zero; o ganho é de quem pega estrada sem sinal, vive em área rural ou depende de um alerta de emergência quando a torre cai. Por isso, eu esperaria o primeiro anúncio de uma operadora, com preço e lista de aparelhos, antes de trocar de plano ou de celular por causa disso. E vale acompanhar a parceria: quem controla a faixa, o satélite e o contrato com a operadora tem muito poder sobre o preço, e esse é um ponto que as decisões desta semana ainda não resolvem.
Se o seu assunto é a internet de casa, veja também o nosso guia de Wi-Fi 7 no Brasil e a decisão da Anatel sobre os 6 GHz.
Perguntas frequentes sobre o Starlink direto no celular
Tem como usar a Starlink no celular?
Hoje, não como serviço comercial no Brasil. Existe um teste autorizado pela Anatel com a Vivo até 22 de abril de 2029. Nos Estados Unidos o serviço já funciona com operadoras parceiras, e a expectativa é que comece por mensagens de texto.
A Anatel aprovou o Starlink direto no celular?
Em 9 de outubro de 2026, a Anatel concedeu à Starlink 15+15 MHz na banda S para o serviço direto ao celular. A decisão libera faixa de frequência. Ela não é o lançamento comercial, e o acórdão ainda precisa ser publicado no Diário Oficial.
Posso usar a Starlink no meu celular Vivo?
Ainda não. A Vivo faz testes com a Starlink, autorizados até 22 de abril de 2029, mas não há serviço aberto aos clientes nem data divulgada.
Tem plano da Starlink para celular?
Não há plano nem preço definidos para o Brasil. A expectativa do setor é que o recurso venha incluído em planos de operadoras parceiras.
Preciso de antena para usar a Starlink no celular?
No D2D, não. A antena é do serviço de internet residencial ou de viagem. O D2D usa o próprio celular, desde que ele seja compatível.
Qual a diferença entre a Starlink com antena e a direto no celular?
A com antena entrega internet de alta velocidade em casa ou em movimento, mas exige um kit. A direto no celular conecta o aparelho comum ao satélite, no começo para mensagens, e depois voz e dados, sem kit.
Você pegaria um plano de celular com satélite para viajar? Conta aqui nos comentários.
Resumo
- A FCC aprovou, em 6/10, em parte, 15 mil satélites do Starlink Mobile para conexão direta com celulares.
- A Anatel concedeu à Starlink 15+15 MHz na banda S em 9/10 (4 a 1, Acórdão nº 265/2026); é faixa, não lançamento do serviço.
- No Brasil, só existe teste com a Vivo, autorizado até 22/4/2029; sem preço nem data comercial.
- A expectativa é começar por mensagens, depois voz e internet, em celulares 4G recentes.
- Os veículos divergem nas datas de validade das faixas: vale o acórdão no Diário Oficial.
Fontes
- Teletime: EUA autorizam 15 mil satélites da Starlink para conexão direta a celulares (08/10/2026)
- Teletime: Anatel confirma capacidade adicional de banda S para Starlink (09/10/2026)
- Tele.Síntese: Anatel libera 15+15 MHz à Starlink para conexão direta a celulares
- Canaltech: Starlink está a um passo de transmitir 5G direto do espaço (09/10/2026)
- Via Satellite: FCC grants SpaceX approval for 15,000 direct-to-device satellites (07/10/2026)
- Exame: Starlink no celular, quando chega ao Brasil e quais modelos são compatíveis (11/07/2026)
- InfoMoney: Starlink no celular, como funciona e quais aparelhos aceitam (25/09/2026)
- Canaltech: Sem antena, quanto vai custar usar Starlink direto no celular no Brasil? (11/04/2026)
- CartaCapital: Celular via Starlink, quando vai funcionar no Brasil (22/07/2026)

