Se você tem ligação com o Hospital Sírio-Libanês e quer saber o que fazer se seus dados vazaram, o primeiro passo é desconfiar de qualquer contato que peça senha, código ou pagamento em nome do hospital. Em 16/10, o hospital confirmou um acesso não autorizado a um sistema interno de relatórios, usado em projetos sociais. Um grupo criminoso diz ter levado 10,17 milhões de linhas de dados, possivelmente com informações de saúde, o que o hospital não confirma. Os passos abaixo valem para este e para qualquer vazamento: trocar senhas, conferir o CPF no Registrato do Banco Central e saber onde reclamar.
O que aconteceu no Hospital Sírio-Libanês
- 21 de setembro de 2026: o hospital identificou um possível acesso não autorizado a um sistema interno de relatórios, que reúne dados de pessoas ligadas a alguns projetos sociais.
- 16 de outubro: comunicou a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) e a Polícia Federal e publicou um aviso aos titulares, como manda a LGPD.
- O que diz o hospital: a base geral de pacientes não foi atingida, o atendimento segue normal e, até agora, não há evidência de divulgação pública ou uso indevido dos dados.
- O que dizem os criminosos: o grupo The Seven Deadly Sins afirma ter extraído 1.612 arquivos, cerca de 10,17 milhões de linhas e 2,96 GB, com tabelas que incluiriam telessaúde e saúde mental. O hospital não confirmou esses números.
Segundo o hospital, os dados que podem estar envolvidos são nome, RG, CPF, endereço, e-mail e telefone de pacientes e colaboradores ligados a esses projetos. Também podem estar envolvidos dados sensíveis, como informações de saúde e de raça ou etnia. A apuração segue para definir quem foi afetado, e cada pessoa deve ser avisada individualmente.
O que fazer se seus dados vazaram: 7 passos
- Desconfie de todo contato “do hospital” ou “do banco”. O Sírio-Libanês diz que não pede senha, código de verificação nem pagamento por telefone, mensagem ou e-mail. Na dúvida, desligue e ligue você para o número oficial.
- Troque a senha do serviço que vazou e de qualquer outro lugar onde você usava a mesma senha.
- Ative a verificação em duas etapas no e-mail, no WhatsApp, nos bancos e na conta gov.br. Com ela, a senha sozinha não basta para entrar.
- Confira o seu CPF no Registrato (registrato.bcb.gov.br, com login gov.br prata ou ouro). O relatório do Banco Central mostra contas, empréstimos e chaves Pix em seu nome. Se aparecer algo que você não reconhece, procure a instituição na hora.
- Acompanhe as consultas ao seu CPF nos birôs de crédito, como o Serasa, que têm consulta grátis. Pedido de crédito que você não fez é sinal de fraude em andamento.
- Guarde provas: o aviso da empresa, prints de mensagens suspeitas e protocolos de atendimento.
- Se houver golpe consumado (conta aberta, empréstimo, Pix), registre boletim de ocorrência e avise o banco imediatamente.

Por que vazamento de dado de saúde é mais grave
A LGPD trata informação de saúde, raça e etnia como dado sensível, com proteção maior, porque o uso indevido pode gerar discriminação, e não só fraude. Na prática, o risco mais comum é o golpe direcionado: o criminoso liga sabendo o seu nome, o seu CPF e até o seu tratamento, e isso faz a mentira parecer verdadeira. É o mesmo mecanismo do golpe do falso TSE, que usava dados reais de eleitores para cobrar um Pix.
Onde reclamar de vazamento de dados
| Situação | Onde |
|---|---|
| Quer saber se você foi afetado ou pedir informações | A própria empresa, pelo encarregado de dados (DPO). No caso do Sírio-Libanês, pela página de segurança da informação do hospital |
| A empresa não respondeu ou negou o seu pedido | ANPD, por petição de titular, no portal gov.br |
| Quer comunicar uma infração à LGPD | ANPD, por denúncia (pode ser anônima), no portal gov.br |
| Sofreu golpe, conta ou empréstimo em seu nome | Boletim de ocorrência na polícia e contato imediato com o banco |
O olhar de QA
Vinte e cinco dias. Foi o tempo entre o hospital perceber o acesso, em 21 de setembro, e avisar o público, em 16 de outubro. Investigar antes de anunciar é legítimo, porque ninguém quer espalhar pânico com informação errada. Mas, nesse intervalo, quem tinha os dados expostos não sabia que precisava desconfiar.
O que me chama atenção do lado técnico é o sistema atingido: um sistema “de relatórios”. Em muitas empresas, é justamente o relatório que junta dados de vários lugares numa planilha ou num painel, e costuma ter menos proteção que o sistema principal. Quem testa software aprende cedo que o dado mais exposto nem sempre está no banco de dados central, e sim na cópia que alguém fez para gerar um gráfico. Para o leitor, o recado prático é outro: trate todo contato que cite seus dados como suspeito até conferir pelo canal oficial.
Perguntas frequentes
Como saber se meu CPF teve vazamento de dados?
Não existe uma consulta única para todos os vazamentos. Fique atento aos avisos das empresas e confira o Registrato do Banco Central, que mostra contas, empréstimos e chaves Pix em seu nome. Algo desconhecido ali indica uso indevido do CPF.
Fui paciente do Sírio-Libanês. Meus dados vazaram?
Segundo o hospital, o incidente ficou restrito ao sistema de relatórios de projetos sociais e não atingiu a base geral de pacientes. Quem foi afetado deve ser avisado individualmente. Para tirar dúvidas, use a página de segurança da informação do hospital.
Tenho direito a indenização por vazamento de dados?
Depende do caso e do dano comprovado. A LGPD prevê reparação por danos causados por tratamento irregular de dados, mas cada situação é avaliada pela Justiça. Para isso, procure um advogado ou a defensoria pública com as provas que você guardou.
Onde reclamar sobre vazamento de dados?
Primeiro na própria empresa, pelo encarregado de dados. Se não houver resposta, na ANPD, por petição de titular ou denúncia, no portal gov.br. Em caso de golpe, também na polícia.
Você já recebeu aviso de vazamento de alguma empresa? O que fez depois? Conta aqui nos comentários.
Resumo
- O Sírio-Libanês confirmou em 16/10 um acesso não autorizado a um sistema de relatórios de projetos sociais, detectado em 21/09.
- Um grupo criminoso alega 10,17 milhões de linhas com dados possivelmente sensíveis; o hospital não confirma.
- O que fazer: desconfiar de contatos, trocar senhas, ativar duas etapas, conferir o Registrato e guardar provas.
- Onde reclamar: empresa (DPO), ANPD no gov.br e, em caso de golpe, polícia e banco.
Fontes
- TI Inside: Hospital Sírio-Libanês confirma invasão de sistema interno (16/10/2026)
- IT Forum: Hospital Sírio-Libanês sofre ataque cibernético com vazamento de dados
- SBT News: Sírio-Libanês sofre ataque hacker e apura acesso a dados
- ANPD: Autoridade Nacional de Proteção de Dados (denúncia e petição de titular)
- Banco Central: Registrato


