Hoje é dia de eleição, e um golpe está aproveitando a data. Um site falso que imita o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diz que o seu título tem uma pendência e cobra R$ 47,90 via Pix para “regularizar”. O detalhe que engana muita gente: a página mostra dados verdadeiros da vítima, como o nome completo e o nome da mãe.
O golpe foi analisado pela empresa de segurança ESET e divulgado em 3 de outubro. Vou explicar como ele funciona, como reconhecer o site falso em segundos e o que fazer se você já pagou.
Primeiro, o mais importante
O TSE não cobra nenhuma taxa para regularizar o título e não envia cobrança por mensagem, aplicativo, SMS ou e-mail. Qualquer página que peça Pix para “liberar” o seu voto é golpe. A consulta da sua situação eleitoral só deve ser feita pelos canais oficiais: o site tse.jus.br e o aplicativo e-Título.

Como o golpe funciona
- A vítima chega a uma página chamada “Consulta de Situação Eleitoral”, com cara de site do governo e avisos como “Seus dados são protegidos”. Em alertas anteriores, o TSE contou que esses links costumam circular pelo WhatsApp.
- O site pede o CPF e devolve o nome completo e o nome da mãe da pessoa, com o número do título, a zona e a seção parcialmente escondidos.
- Aparece uma “pendência” de R$ 47,90, dividida entre multa, encargos e uma taxa de regularização, com a ameaça de suspensão do voto e de benefícios do governo.
- A última tela mostra um QR Code e uma chave Pix. O dinheiro vai para uma empresa privada de Curitiba, e não para o Tesouro Nacional.
Nos testes da ESET, todo CPF válido digitado mostrava a mesma pendência, com o mesmo valor. Ou seja: o site não consulta nada de verdade, ele só cobra de todo mundo. O pesquisador Jonathan Ramos, da ESET, resume o truque: os dados reais convencem a pessoa de que a página é oficial, e a ameaça ao voto cria a pressa para pagar sem conferir o endereço.
Como reconhecer o site falso
- Olhe o endereço. Site da Justiça Eleitoral termina em .jus.br (tse.jus.br, justicaeleitoral.jus.br). O golpe usa um endereço terminado em .online.
- Desconfie de cobrança. O TSE não cobra taxa para regularizar o título.
- Confira quem recebe o Pix. Antes de confirmar, o aplicativo do banco mostra o nome do recebedor. Se for uma empresa ou uma pessoa, pare.
- Pressa é sinal de golpe. Ameaça de perder o voto ou um benefício “hoje” é a técnica clássica para você não pensar.
- Saber seus dados não prova nada. Nome e nome da mãe circulam em vazamentos de dados. Um site que “te conhece” não é, por isso, oficial.
Já paguei. E agora?
- Fale com o seu banco na hora e peça a abertura do MED (Mecanismo Especial de Devolução do Pix), que existe para casos de golpe. Quanto mais rápido, maior a chance de recuperar o dinheiro.
- Registre um boletim de ocorrência, que em vários estados pode ser feito pela internet.
- Se você digitou outros dados no site, fique atento a novas tentativas de golpe usando o seu nome.
Para tirar dúvidas sobre qualquer mensagem que use o nome da Justiça Eleitoral, o TSE mantém a página Fato ou Boato. E, se você ainda está em dúvida sobre vídeos de candidatos, veja o nosso guia de como checar se um vídeo de candidato é verdadeiro.
Perguntas frequentes sobre o golpe do falso TSE
O TSE cobra taxa para regularizar o título de eleitor?
Não. O TSE não cobra taxa para regularizar o título e não manda cobrança por mensagem, SMS, e-mail ou aplicativo. Qualquer página que peça Pix para “liberar” o seu voto é golpe.
Como saber se o site do TSE é verdadeiro?
Olhe o endereço: os sites da Justiça Eleitoral terminam em .jus.br, como tse.jus.br. O golpe usa um endereço terminado em .online. O app oficial é o e-Título.
Como o site falso sabe o meu nome e o nome da minha mãe?
Esses dados circulam em vazamentos. O site usa o CPF para mostrar informações verdadeiras e parecer oficial, mas cobra os mesmos R$ 47,90 de qualquer CPF digitado. Saber seus dados não prova que o site é do governo.
Paguei o Pix do golpe. Dá para recuperar o dinheiro?
Pode dar. Fale com o seu banco na hora e peça a abertura do MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, criado para casos de golpe. Quanto mais rápido, maior a chance. Registre também um boletim de ocorrência.
Minha opinião
Já sabemos há tempos que golpistas usam páginas falsas, e-mails, ligações e mensagens para chegar até nós com dados vazados na internet, e a orientação de sempre é não confiar nem clicar em tudo o que aparece nas redes ou na caixa de entrada. Este é mais um caso, e infelizmente muita gente ainda cai em golpes que parecem tão reais e convincentes. O que chama a atenção aqui é o nome da mãe aparecendo na tela: o criminoso não precisa saber quem você é, ele só precisa de uma base vazada e de um site bonito. Para quem trabalha com sistemas, a lição é a mesma de sempre: confiança não se prova com dados que “só você saberia”, porque eles já não são só seus. Para o leitor, a regra é simples e vale para qualquer cobrança: confira o endereço, confira quem recebe o Pix e nunca pague com pressa.
Você recebeu alguma mensagem desse tipo? Conta aqui nos comentários (sem colocar o link do golpe), para outros leitores ficarem atentos.
Resumo
- Um site falso que imita o TSE cobra R$ 47,90 via Pix por uma “pendência eleitoral” que não existe.
- Ele mostra seu nome e o nome da sua mãe para parecer oficial, mas cobra o mesmo valor de qualquer CPF.
- O TSE não cobra taxa para regularizar o título; os canais oficiais são tse.jus.br e o app e-Título.
- Se pagou, peça o MED ao seu banco imediatamente e registre um boletim de ocorrência.
Fontes
- TSE: alerta para golpe com cobrança para regularização de pendências eleitorais
- TSE: saiba como se proteger de golpes que usam o nome da Justiça Eleitoral
- InfoMoney: golpe usa site falso do TSE e cobra taxa via Pix (03/10/2026)
- TechTudo: falso TSE cobra Pix de eleitores usando dados reais
- Campo Grande News: site falso usa dados reais de eleitores para cobrar R$ 47,90


