Binance hackeada: o que aconteceu, quando os saques voltam e o que muda no Brasil

Celular sobre uma mesa escura com um gráfico de cotação desfocado e um cadeado vermelho na tela (imagem ilustrativa gerada por IA)

A Binance foi hackeada na quinta-feira (29/10/2026): cerca de US$ 6,3 bilhões, perto de R$ 34 bilhões, saíram das carteiras da corretora, no maior roubo de criptomoedas já registrado. A empresa diz que o cliente não terá prejuízo e que já repôs cerca de 95% do valor com recursos próprios. Os saques começaram a voltar neste domingo (01/11), por enquanto em 3 das 15 redes da primeira fase, e a operação brasileira não confirmou se segue o mesmo prazo. Veja o que se sabe, o que muda para quem tem conta e a regra do Banco Central que começa a valer no mesmo dia.

A Binance foi hackeada? O que aconteceu

Sim, e a própria corretora confirmou. O ataque começou pouco depois das 17h de Brasília, e a maior parte do dinheiro saiu em cerca de 20 minutos, segundo registros da blockchain citados pela Reuters. O alvo foram as carteiras quentes, aquelas que ficam conectadas para processar os saques do dia a dia. O valor é cerca de quatro vezes o do recorde anterior, o US$ 1,5 bilhão levado da Bybit em fevereiro de 2025.

A explicação ainda está incompleta. A Binance disse primeiro que o invasor comprometeu o notebook de um engenheiro de DevOps e, a partir dele, chegou a um contêiner de serviço que permitiu os saques. Depois, informou que a investigação encontrou outros pontos de violação. A empresa de rastreio TRM Labs fala em comprometimento da infraestrutura que assina as transações, e a Binance afirma não ter achado indício de vazamento de chave privada. Um relatório técnico foi prometido para o fim da apuração.

Notebook de engenharia sobre uma mesa de escritório à noite, com um terminal desfocado na tela e painéis de servidores no monitor ao fundo
A primeira porta de entrada apontada pela Binance foi o notebook de um engenheiro. Imagem ilustrativa gerada por IA.

Sobre a autoria, o FBI atribuiu o ataque no sábado (31/10) a uma unidade ligada à Coreia do Norte, conhecida como TraderTraitor, segundo a Reuters. TRM Labs e Chainalysis já tinham apontado semelhanças com o caso da Bybit. A Coreia do Norte costuma negar esse tipo de acusação.

Binance com saque suspenso: quando volta?

Os saques começaram a voltar neste domingo (01/11), mas só em parte: 3 das 15 redes da primeira fase estavam abertas quando terminou a janela anunciada pela Binance, às 6h de Brasília. Na nossa medição das 6h07, na página pública de status da corretora, apareciam com saque ligado a rede Bitcoin (BTC), a Ethereum (ETH, USDT e USDC) e a BNB Smart Chain (BNB, USDT e USDC). A rede Bitcoin abriu primeiro, pouco depois das 3h, e as outras duas, perto das 4h50. Solana, XRP, Tron, Dogecoin e as demais da lista seguiam desligadas, sem hora informada. A empresa diz que cada rede só abre depois das checagens de segurança, e as moedas fora da primeira fase entram depois. A empresa avisa que pode haver lentidão e diz para conferir a disponibilidade na página de saque. No Brasil, a BBrasil SPSAV, empresa que atende os clientes daqui, descreve a suspensão como medida preventiva e, no comunicado de sexta (30/10), não deu data. Até esta atualização, não encontramos comunicado novo dela, e a página de status é a global da Binance, então não garante que a opção já apareça para quem tem conta aqui. Depósitos e negociações seguem funcionando, segundo ela.

Linha do tempo do ataque à Binance, do roubo em 29 de outubro à prova de reservas prevista até 3 de novembro
Do ataque à prova de reservas: o que já aconteceu e o que ainda é previsão.

Meu dinheiro na Binance está seguro?

A empresa diz que sim, mas o cliente só vai poder conferir parte disso na semana que vem. A Binance afirma ter separado US$ 6,34 bilhões, usando o fundo de proteção SAFU, parte de um fundo de seguro de futuros e o próprio caixa. Dez moedas já teriam lastro de 100%: BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC. Os cerca de 5% que faltam são moedas de menor liquidez, mais demoradas de comprar.

PontoO que se sabeSituação
Valor levadoUS$ 6,3 bilhões (estimativas de US$ 6,36 bi na TRM e US$ 6,4 bi na Chainalysis)confirmado
Reposiçãocerca de 95% do valor, com recursos próprios (eram 90% no sábado)dito pela Binance
Congeladocerca de US$ 3 bilhões, com Tether, Circle, Ripple e outrosdito pela Binance e por empresas de rastreio
Fora de alcancecerca de US$ 2,4 bilhões em bitcoin e etherestimativa da TRM Labs
Prova de reservasfoto de 31/10; verificação completa até 03/11prevista
Brasilcarteiras frias e separação exigida pelo BCdito pela BBrasil SPSAV
Fontes: Binance, Reuters, InfoMoney, Correio Braziliense, Times Brasil e Livecoins (30/10 a 01/11/2026). Pode mudar com o relatório técnico.

Dois detalhes evitam confusão. Repor não é recuperar: a corretora comprou moedas para tapar o buraco, e o dinheiro roubado continua com os criminosos ou congelado. E congelar não é devolver, porque o bloqueio impede o uso, mas não entrega o valor de volta à Binance.

Para o advogado Daniel Passinato Diniz, ouvido pelo Correio Braziliense, as declarações da empresa não bastam, sozinhas, para provar que os ativos brasileiros estão protegidos. Ele aponta a auditoria independente como a forma mais concreta de demonstrar isso e pergunta quem controla as chaves das carteiras frias: a empresa brasileira ou a estrutura global.

O que a regra do Banco Central garante

Ela reduz o risco de má gestão, mas não promete ressarcimento. As Resoluções 519, 520 e 521 do BC valem desde 02/02/2026 e obrigam as corretoras a separar o patrimônio próprio do dinheiro dos clientes, fazer auditoria independente a cada dois anos e apresentar prova de reservas. Como lembra o Times Brasil, essas exigências não funcionam como garantia de devolução em caso de perda.

A mudança de 1º de novembro nos saques para o exterior

Essa parte quase não apareceu nas notícias do ataque, mas começa exatamente hoje. A Binance avisou em 03/10 que, para cumprir a Resolução BCB 521, o cliente brasileiro terá de informar a finalidade e os dados da outra ponta em depósitos e saques internacionais de criptomoedas. Os dados vão mensalmente ao Banco Central.

  • Quando vale: saque para corretora estrangeira ou carteira própria enquadrada como transferência internacional, e depósitos vindos de fora.
  • Até US$ 50 mil: a finalidade é escolhida numa lista simplificada.
  • Acima de US$ 50 mil: entra a lista completa de finalidades do BC.
  • Carteira sua: será preciso confirmar que ela é mesmo sua.
  • Sem resposta: o saque não é enviado, e o depósito fica pendente.

Na prática, quando o seu saque voltar, o formulário pode aparecer e não significa problema na sua conta. Só responda dentro do aplicativo ou do site oficial, nunca por um link recebido em mensagem.

O que fazer se você tem conta na Binance

Este texto explica o caso e não é recomendação de investimento. O que vale para qualquer cliente é o básico de segurança:

  1. Ignore quem oferece ajuda. Crise grande atrai golpe. Nos comunicados que lemos não há cadastro nem formulário para ser coberto, e ninguém precisa da sua senha ou do seu código. Vale a mesma regra do golpe do QR Code no Pix e do falso cadastro do Pix MEI.
  2. Entre digitando o endereço. Use o aplicativo já instalado ou o site digitado à mão, sem clicar em anúncio ou link.
  3. Guarde um print do saldo. Com data e hora, ele serve de registro se algo não bater depois.
  4. Confira a prova de reservas. Quando a verificação sair, prevista até 03/11, é nela que cada cliente pode checar se o saldo entrou na conta da corretora.
  5. Se a suspensão se arrastar, o advogado ouvido pelo Correio indica reclamar no Procon, no consumidor.gov.br e no Banco Central.

A autocustódia, que é guardar as moedas numa carteira cujas chaves só você controla, voltou ao debate. Ela tira o risco da corretora, mas passa para você a guarda da frase de recuperação: se perder ou entregar a um golpista, ninguém desfaz.

Minha opinião

Como um único notebook chega a US$ 6,3 bilhões em 20 minutos? Essa é a pergunta que eu faria numa reunião de teste, e ela vale mais do que descobrir quem invadiu. A Binance já avisou que houve outras falhas, então é cedo para apontar a causa. Mas o tempo diz bastante: em 20 minutos, nada parou a saída.

Em qualidade de software, a gente testa o caminho feliz e depois pergunta o que acontece quando alguém de dentro é enganado. Um limite de saída por janela de tempo seria só uma linha numa lista de testes, e é o tipo de coisa que eu quero ver respondida no relatório técnico.

A resposta da empresa foi rápida, e cobrir o rombo com o próprio caixa é um fato raro de se ver. Só que “fique tranquilo” ainda é promessa. Eu espero a prova de reservas de 03/11 e a auditoria para trocar a palavra da empresa por algo que dê para conferir.

Perguntas frequentes

O que está acontecendo com a Binance hoje?

A corretora se recupera de um roubo de US$ 6,3 bilhões ocorrido em 29/10. Os saques começaram a voltar em 01/11 nas redes Bitcoin, Ethereum e BNB Smart Chain, e as outras redes da primeira fase entram aos poucos. Os depósitos seguem funcionando.

Como resgatar minhas criptomoedas na Binance?

A liberação é por etapas: confira na página de saque se a moeda e a rede já voltaram. A Binance avisa que pode haver lentidão no início. O saque para o exterior passa a pedir finalidade e dados da outra ponta para clientes do Brasil.

Quem hackeou a Binance?

O FBI atribuiu o ataque a uma unidade ligada à Coreia do Norte, conhecida como TraderTraitor, segundo a Reuters. A Binance ainda não publicou o relatório técnico.

Vou perder o dinheiro que tenho na Binance?

A empresa afirma que não e diz que arcará com o prejuízo usando recursos próprios. Isso ainda não pode ser conferido por completo: a verificação da prova de reservas está prevista até 03/11.

Quanto foi roubado da Binance?

Cerca de US$ 6,3 bilhões, perto de R$ 34 bilhões. É o maior roubo de criptomoedas já registrado, cerca de quatro vezes o caso da Bybit em 2025.

Você tem conta na Binance? Conta nos comentários o que apareceu aí quando os saques voltaram, sem colocar dados da conta nem links.

Resumo

  • A Binance perdeu cerca de US$ 6,3 bilhões em 29/10, o maior roubo de criptomoedas já registrado.
  • A empresa diz ter reposto cerca de 95% com recursos próprios e promete arcar com o prejuízo.
  • Os saques começaram a voltar em 01/11: até as 6h de Brasília, em 3 das 15 redes da primeira fase. No Brasil, não houve data própria.
  • Desde 01/11, saque internacional de cliente brasileiro pede finalidade e dados da outra ponta.
  • Desconfie de quem oferece ajuda por mensagem. A prova de reservas completa está prevista até 03/11.

Fontes

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