O Gemini 4 Argon, o modelo de IA mais avançado do Google, saiu do teste fechado na terça-feira (13). Anunciado em 30 de setembro só para um grupo de especialistas em cibersegurança, agora ele está disponível para desenvolvedores na API paga, para empresas no Google Cloud e para assinantes dos planos Google AI Pro e Ultra no aplicativo do Gemini. O destaque é a capacidade de entregar respostas gigantes, de até 1 milhão de tokens numa única saída.
Boa parte do que aparece na busca ainda diz que “não dá para usar o Argon”, porque foi escrita antes da liberação. Neste texto: quem pode usar hoje, quanto custa no Brasil e na API, o que ele faz de diferente e como se sai contra GPT-6 e Claude, separando o que é número do Google do que é medição independente.
O que é o Gemini 4 Argon
É o novo modelo de ponta do Google, feito para trabalhos longos e de várias etapas, como programação em projetos grandes, análise jurídica e financeira e defesa contra ataques digitais. A maior novidade é o limite de saída: o Argon pode gerar até 1 milhão de tokens numa resposta, contra 64 mil dos modelos Gemini anteriores. Na prática, isso permite que ele reescreva um sistema inteiro ou produza um relatório enorme de uma vez, sem precisar ser “cutucado” a cada pedaço.
O Google conta que usou o modelo internamente em tarefas pesadas, como migrar mais de 800 mil linhas de código C/C++ para Rust no núcleo do sistema Fuchsia e criar uma versão em Rust do decodificador de vídeo libgav1 que roda 2,7 vezes mais rápido que a anterior. A liberação em etapas, segundo a empresa, foi por segurança: um modelo que encontra e corrige falhas de software sozinho também poderia ser usado para atacar.
Gemini 4 Argon: como usar e quem tem acesso
Desde 13 de outubro, existem quatro caminhos para usar o Gemini 4 Argon, e nenhum deles é gratuito:
| Onde | Quem pode usar | Observação |
|---|---|---|
| App do Gemini e Modo IA da Busca | Assinantes Google AI Pro e Ultra | Inclui o modo de tarefas, que continua trabalhando com você longe do computador |
| Gemini API (Google AI Studio e Android Studio) | Desenvolvedores no plano pago da API | Assinantes Ultra também podem testar no AI Studio |
| Google Antigravity (programação com agentes) | Só assinantes Ultra | A interface de programação também chegou ao app do Gemini para Mac |
| Google Cloud e Gemini Enterprise | Empresas clientes | Programa Fairwind: versão sem as travas de cibersegurança, só para defensores aprovados |
O Google não detalhou se há diferença por país no app. No Brasil, a página oficial do Gemini vende o Google AI Pro por R$ 96,99 por mês, o plano mais barato que inclui o Argon. O AI Plus (R$ 24,99) não aparece na lista de planos com acesso, e o Ultra custa R$ 779,90 por mês, segundo levantamento da Exame de setembro.
Para quem programa, o preço da API está em fase de lançamento:
| Preço da API (por milhão de tokens) | Até 30/11/2026 | Depois de 30/11/2026 |
|---|---|---|
| Entrada | US$ 2 | US$ 4 |
| Entrada em cache | 95% de desconto sobre a entrada | 95% de desconto sobre a entrada |
| Saída | US$ 10 | US$ 20 |

Gemini 4 Argon é bom? Os números do Google e os independentes
Ele está entre os melhores do mundo nas medições independentes, empatado com GPT-6 Astra e Claude Fable 5.1 no índice geral, e se destaca por inventar menos respostas. Mas não é o melhor em tudo, e os recordes mais chamativos são números divulgados pelo próprio Google.
| Teste | Resultado do Argon | Quem mediu |
|---|---|---|
| DeepSWE v1.1 (programação em projetos reais) | 77,9% | |
| LVBench (entender vídeos longos) | 91,7% | |
| AutomationBench (Zapier, automações) | 51,3%, 1º lugar | |
| CWE-bench v1 (corrigir falhas de segurança) | 68%, empatado em 1º | |
| Artificial Analysis Intelligence Index | 53, empatado com GPT-6 Astra e Claude Fable 5.1 | Artificial Analysis (independente) |
| AA-Omniscience (taxa de “alucinação”) | 15%, a menor entre os modelos de ponta; GPT-6 Astra: 51% | Artificial Analysis (independente) |
| Arena de texto (votação de usuários) | 1.525 pontos, 1º lugar; Claude Opus 5.5: 1.504 | Arena.ai |
| Vals Index v2.1 (finanças, código, jurídico, impostos) | 68,9%, 1º de 43 modelos | Vals AI |
Dois cuidados na leitura. A taxa de alucinação do AA-Omniscience não pune o modelo que se recusa a responder, então parte do bom resultado pode vir de o Argon dizer “não sei” com mais frequência, o que, para muita gente, é justamente a qualidade desejada. E, segundo a análise do The Batch, ele ainda fica atrás dos modelos mais novos da Anthropic em programação com agentes, apesar do recorde no DeepSWE divulgado pelo Google.
Gemini 4 Argon vs Opus 5.5 e GPT-6: para quem ele faz sentido
Pelo que os números mostram até agora, o Argon faz mais sentido para trabalho de conhecimento: contratos, relatórios financeiros, pesquisa com muitos documentos e análise de vídeos longos, áreas em que ele lidera os testes independentes e erra menos. Para programação com agentes, o Claude continua como referência, e o GPT-6 Astra empata no índice geral. A vantagem de custo também conta: o The Batch aponta que o Argon chega ao mesmo nível do GPT-6 Astra e do Claude Fable 5.1 gastando menos por tarefa.
Para quem já paga o Google AI Pro por causa do armazenamento em nuvem, o Argon chega sem custo extra. Para quem usa IA principalmente para programar, vale comparar com as opções que já testamos, como o Claude Haiku 5.5 e o GPT-6 Luna, antes de trocar de assinatura. E, se a ideia é ter um assistente que trabalha sozinho, o Google tem outro produto para isso, o Gemini agent.
Minha opinião
Quem precisa de 1 milhão de tokens de saída? Quase ninguém que abre o app do Gemini para tirar uma dúvida, e é bom ter isso claro antes de se impressionar com o número. Esse limite serve para quem entrega ao modelo um trabalho de horas, como reescrever um sistema ou montar um relatório gigante, e espera o resultado inteiro de uma vez. O que me chamou mais atenção foi outro número, menos falado: a taxa baixa de respostas inventadas. Em IA, uma resposta errada dita com confiança custa mais caro do que um “não sei”, e um modelo que prefere admitir a dúvida é mais útil no trabalho sério. Também gostei de ver o Google segurar a liberação por segurança, mesmo atrasado na corrida. Só não troco de ferramenta por benchmark do fabricante: os recordes do DeepSWE e do LVBench são do Google, e eu espero as medições independentes de programação antes de dizer que ele é o melhor para isso.
Perguntas frequentes sobre o Gemini 4 Argon
Como usar o Gemini 4 Argon?
Desde 13 de outubro de 2026, pelo app do Gemini e pelo Modo IA da Busca para assinantes Google AI Pro e Ultra, pela Gemini API paga no Google AI Studio, pelo Google Antigravity (só Ultra) e pelo Google Cloud para empresas.
O Gemini 4 Argon é grátis?
Não. Ele não está no plano gratuito do Gemini nem no nível gratuito da API. O plano mais barato com acesso no Brasil é o Google AI Pro, de R$ 96,99 por mês.
Quanto custa o Gemini 4 Argon na API?
Até 30 de novembro de 2026, US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída. Depois, o preço dobra para US$ 4 e US$ 20.
O Gemini 4 Argon é bom?
Sim, está entre os melhores modelos do mundo: empata com GPT-6 Astra e Claude Fable 5.1 no índice da Artificial Analysis, lidera a arena de texto e tem a menor taxa de respostas inventadas entre os modelos de ponta. Em programação com agentes, ainda fica atrás dos modelos mais novos da Anthropic, segundo o The Batch.
Qual a diferença entre o Gemini 4 Argon e o Claude Opus 5.5?
Na arena de texto, o Argon tem 1.525 pontos contra 1.504 do Opus 5.5. O Argon se destaca em trabalho de conhecimento e erra menos; o Claude segue como referência em programação com agentes.
O que é o Google Antigravity?
É a plataforma de programação com agentes do Google. Com o Argon, ela fica disponível para assinantes do Google AI Ultra, e a interface também chegou ao app do Gemini para Mac.
O que é o programa Fairwind?
É o programa do Google que dá acesso antecipado a defensores de cibersegurança aprovados, como governos e operadores de infraestrutura crítica. Eles recebem uma versão do Argon sem as travas de segurança contra uso em ataques.
Você pagaria o Google AI Pro para usar o Gemini 4 Argon? Conta aqui nos comentários.
Resumo
- O Gemini 4 Argon, modelo de ponta do Google, foi liberado em 13/10 para a API paga, o Google Cloud e assinantes AI Pro e Ultra.
- O destaque é o limite de saída de 1 milhão de tokens, contra 64 mil dos Gemini anteriores.
- No Brasil, o plano mais barato com acesso é o Google AI Pro, de R$ 96,99/mês; na API, US$ 2/US$ 10 por milhão de tokens até 30/11, depois o dobro.
- Nas medições independentes, empata com GPT-6 Astra e Claude Fable 5.1 e tem a menor taxa de respostas inventadas; em programação com agentes, ainda fica atrás do Claude.
- Os recordes do DeepSWE e do LVBench são números do próprio Google.
Fontes
- Google: Gemini 4 Argon, our next era of frontier intelligence (30/09/2026)
- Google: Gemini 4 Argon is now available in the Gemini app (13/10/2026)
- Google: Gemini 4 Argon is now available for developers (13/10/2026)
- Google Cloud: Gemini 4 Argon available on Google Cloud (13/10/2026)
- Slashdot, citando a Reuters: Google launches flagship AI model Gemini 4 Argon (13/10/2026)
- The Batch (DeepLearning.AI): Argon, a low-hallucination model built for knowledge work
- Google: planos Google AI Pro e Ultra no Brasil
- Exame: quanto custa cada IA no Brasil (25/09/2026)


